Se você está pensando em começar as vendas na Shopee, antes de qualquer coisa precisa entender que vender em marketplace exige processo e tomada de decisão consciente. Não é apenas cadastrar um produto e esperar que ele venda.
Existem dúvidas que aparecem logo no início e que, se não forem respondidas, acabam gerando prejuízo, frustração ou abandono da plataforma.
O foco deste artigo é responder as principais dúvidas de quem quer entender como vender na Shopee, desde a escolha do produto até a estrutura inicial da loja, frete, precificação e início das vendas.
Para isso, reunimos 6 perguntas que normalmente são feitas a um especialista quando alguém está avaliando entrar na Shopee, com respostas claras e práticas para ajudar você a construir sua operação da forma correta desde o começo.
Sumário
Toggle1. Preciso criar um CNPJ para começar a vender na Shopee ou posso vender como CPF?

Você pode começar vendendo com CPF sem nenhum problema. A Shopee permite esse tipo de cadastro e ele funciona bem para quem está validando produto, entendendo a plataforma e dando os primeiros passos. Porém, o CNPJ se torna fundamental conforme o volume de vendas aumenta.
O CNPJ passa a ser mais vantajoso do que a pessoa física quando a venda deixa de ser algo pontual e vira recorrente, com volume e crescimento previsível. A principal virada acontece quando o faturamento mensal começa a subir e o imposto de renda da pessoa física começa a pesar.
Na pessoa física, mesmo sem imposto retido na Shopee, todo o lucro entra no Imposto de Renda anual e pode cair na alíquota máxima de 27,5%, além de não permitir dedução clara de custos como mercadoria, embalagem, taxas da plataforma e logística de forma estruturada.
Outro ponto importante é escala. A Shopee tende a limitar quem vende como CPF quando o faturamento cresce, exigindo a migração para CNPJ.
Além disso, fornecedores costumam oferecer melhores preços para empresas, o que melhora margem. Com CNPJ, também é possível operar com mais segurança, emitir nota fiscal, negociar logística, acessar crédito, integrar ERPs e estruturar o negócio como empresa, não como renda complementar.
2. Quais são as taxas cobradas pela Shopee?
Vender na Shopee não tem custo para começar, o vendedor só paga quando realiza uma venda, por meio de comissões e taxas que variam conforme o modelo escolhido.
Existem duas formas principais de venda: fora do programa de frete grátis, com comissão de 14% sobre o valor do produto mais R$ 4 por item, e dentro do programa de frete grátis, que é o mais recomendado por gerar mais conversões, onde a comissão total chega a 20% mais R$ 4 por item.
Em ambos os casos, a Shopee aplica um teto máximo de comissão de R$ 100 por venda, independentemente do valor do produto. As taxas são iguais para vendedores CPF e CNPJ, porém vendedores CPF que ultrapassam 450 pedidos nos últimos 90 dias passam a pagar uma taxa maior por item, que desde 6 de janeiro subiu para R$ 7, enquanto vendedores CNPJ continuam pagando R$ 4 sem variação.
Em relação a impostos, quem vende com CPF não emite nota fiscal e não paga imposto, mas enfrenta limitações de faturamento mensal, sendo obrigado a migrar para CNPJ conforme o crescimento. Já o vendedor MEI paga um imposto fixo mensal em torno de R$ 75, com limite anual de faturamento de R$ 81.000.
Empresas enquadradas como ME, EPP, Simples Nacional, Lucro Presumido ou Lucro Real devem considerar percentuais de imposto sobre o faturamento e alinhar a precificação com a contabilidade, especialmente diante das mudanças trazidas pela reforma tributária em fase de teste.
Para manter competitividade e margem saudável, a precificação precisa considerar comissão, taxas, impostos, embalagem e custo do produto, sendo a negociação com fornecedores o principal fator de ajuste quando a margem fica apertada.
3. Como escolher o produto certo para vender na Shopee?

Escolher o produto certo para vender na Shopee começa pela lógica correta, decisão baseada em dados, não em intuição. Produto bom não é o que você gosta nem o que parece interessante, é o que já tem demanda, consegue girar e permite margem.
O primeiro ponto é entender que produto precisa equilibrar três fatores ao mesmo tempo, volume de vendas, margem e viabilidade operacional. Não adianta ter um produto que vende muito se você não consegue competir no preço, e também não adianta ter margem alta em algo que quase não gira. A pesquisa de mercado existe justamente para encontrar esse meio termo.
Na prática, o caminho mais comum é analisar a própria Shopee. O Seller Center oferece dados valiosos como produtos mais vendidos, produtos em alta e categorias com maior volume. A partir disso, você consegue enxergar o que já está funcionando e evita começar do zero apostando em algo incerto.
Existem dois caminhos possíveis. O primeiro é encontrar produtos com demanda comprovada e depois buscar fornecedores que trabalhem itens semelhantes. O segundo é partir do fornecedor, analisar o catálogo e validar se aqueles produtos têm saída dentro da plataforma.
Para quem está começando, o segundo caminho costuma ser mais eficiente, porque permite concentrar compras em menos fornecedores, negociar melhor preço e ganhar escala mais rápido.
Outro ponto importante é entender se os produtos mais vendidos são de marca própria ou revenda. Muitos líderes de vendas trabalham com marca própria, o que dificulta copiar exatamente o mesmo item. Nesse caso, a estratégia é buscar produtos similares no atacado, com características próximas, mas que permitam competir em preço e apresentação.
Ferramentas como o Avant Pro entram como apoio nesse processo. Elas ajudam a analisar volume de vendas, nível de concorrência, histórico do produto e comportamento do mercado. A função da ferramenta não é decidir por você, mas confirmar se os números fazem sentido antes de investir dinheiro.
A Shopee é extremamente sensível a preço. Pequenas diferenças de valor impactam diretamente o volume de vendas. Por isso, a estrutura de custos precisa estar muito bem ajustada.
O preço de compra, taxas da plataforma, frete, impostos e margem precisam fechar a conta antes do anúncio ir ao ar. Se o produto não permite trabalhar preços agressivos sem destruir a margem, ele provavelmente não é ideal para Shopee.
4. O tamanho e o peso do produto influenciam nas vendas na Shopee?
Sim, o tamanho e o peso do produto influenciam de forma direta e significativa nas vendas na Shopee. Esses fatores impactam o valor do frete, a decisão de compra do cliente, a visibilidade do anúncio e até a viabilidade da entrega dentro da plataforma.
A Shopee calcula o frete com base no peso real ou no peso cúbico do pacote, considerando sempre o maior entre os dois. O peso cúbico leva em conta o tamanho da caixa utilizada no envio, não apenas o peso do produto. Por isso, um item leve, mas mal embalado ou com caixa grande demais, pode ter frete caro e perder competitividade.
Existem também limites claros de dimensões para que o produto seja aceito no frete padrão da plataforma. De forma geral, o pacote final não pode ultrapassar 70 cm de altura, 70 cm de largura e 70 cm de comprimento, e a soma de todas as dimensões não deve passar de 200 cm.
Em relação ao peso, o limite costuma ser de até 30 kg por pacote. Produtos que ultrapassam esses limites deixam de ser elegíveis para a logística da Shopee, o que dificulta ou até inviabiliza a venda.
Outro ponto crítico é o cadastro correto das informações. Se o vendedor informar peso ou dimensões menores do que o pacote real, a Shopee pode cobrar a diferença do frete diretamente do valor repassado na venda, reduzindo a margem sem aviso prévio.
Por isso, sempre é necessário medir o pacote final, incluindo caixa, proteção e material de embalagem.
Na prática, produtos menores, mais leves e bem embalados têm fretes mais baratos, convertem mais vendas e geram menos problemas operacionais. Quanto mais simples for a logística, maior a chance de manter uma operação saudável e lucrativa dentro da Shopee.
5. Existe um preço ideal para vender na Shopee?

Não existe um preço ideal único para vender na Shopee, existe um preço viável e competitivo dentro da realidade de cada produto. A plataforma é extremamente sensível a preço, então o valor precisa estar alinhado ao mercado, mas sem destruir a margem.
O erro mais comum é precificar olhando só para o concorrente e esquecer comissão, taxa por item, imposto, embalagem e custo do produto.
Na prática, o preço ideal é aquele que permite entrar no programa de frete grátis, manter uma margem mínima saudável e ainda ficar próximo do preço médio dos concorrentes.
Para quem está começando, normalmente uma margem bruta entre 10% e 20% já é considerada aceitável. Abaixo disso, qualquer variação de taxa, aumento de custo ou devolução pode transformar a venda em prejuízo.
Se o preço necessário para manter margem fica muito acima do mercado, o problema quase sempre está no custo do produto. Nesse cenário, não adianta forçar preço alto, o caminho é negociar melhor com fornecedor, mudar embalagem, ajustar o mix ou até trocar o produto.
Na Shopee, preço não é só valor final, é estratégia. Quem acerta o preço certo vende mais, gira estoque e ganha escala, quem erra disputa clique e perde dinheiro.
6. Preciso de algum sistema para fazer a gestão da Shopee?
Não é obrigatório usar um sistema externo para vender na Shopee. O próprio painel do vendedor já oferece uma estrutura completa para quem está começando ou vende apenas pela plataforma, permitindo gerenciar pedidos, anúncios, estoque, fretes, repasses e relatórios básicos de desempenho.
Para uma operação simples e focada somente na Shopee, esse controle costuma atender bem sem gerar custo adicional.
Por outro lado, à medida que o volume de vendas cresce ou quando o vendedor passa a atuar em mais de um canal, como Mercado Livre, Amazon ou loja própria, o uso de um ERP passa a fazer sentido.
Ferramentas como Bling, Tiny ou sistemas similares ajudam a centralizar estoque, evitar ruptura ou venda duplicada, organizar faturamento, emitir notas fiscais, integrar com contabilidade e ter uma visão mais clara do lucro real da operação.
Nesse cenário, o sistema deixa de ser um custo e passa a ser uma ferramenta de controle e escala.
Conclusão
Vender na Shopee pode ser uma excelente oportunidade, mas só funciona bem quando a operação é construída com consciência desde o início.
Entender se vale mais a pena começar como CPF ou CNPJ, conhecer as taxas reais da plataforma, escolher produtos com demanda e margem, cuidar do peso e das dimensões, precificar corretamente e definir se já é hora de usar um sistema de gestão são decisões que impactam diretamente o resultado.
Marketplace não é renda automática, é negócio, e negócio exige estrutura, análise e ajustes constantes. Quando esses pontos são bem definidos, a Shopee deixa de ser tentativa e erro e passa a ser um canal de vendas previsível e escalável.
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